7.0 Assustador

Wan oferece-nos os sustos cliché, tantas vezes em padrões aleatórios, e arrepios tão óbvios que podemos prever o que - ou quem - vai aparecer e onde. Ainda assim, o realizador surge sempre com formas inesperadas de executar esta tensão, tornando ““The Conjuring 2 - A Evocação” num filme efetivamente assustador e intenso.

  • Assustador 7
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“The Conjuring 2 – A Evocação” é mais um marco assinalável para a carreira do realizador James Wan, que conta já com uma curriculum invejável, onde se encontram referências do cinema de terror deste século, como “Saw” e “Insidious”, e cujas técnicas dentro do género são já comparadas às dos grandes mestres Hitchcock e Carpenter. Mas, dito isto, sempre se apontará também que a aposta em sequelas pode ser vista com desconfiança, resultando, na maior parte das vezes, num exercício redundante e frustrante. E a verdade é que a “Evocação” não consegue ser melhor que o seu antecessor.
Baseado no caso “Enfield Poltergeist”, que se focou em acontecimentos alegadamente verídicos, ocorridos em 1977, o filme transporta-nos para uma atmosfera britânica pré Dama de Ferro, onde prolifera um cenário de miséria. Assistimos aí ao desamparo de uma família monoparental londrina, com uns pozinhos de London Calling – apesar de o tema ter surgido apenas em 1979 – e imagens de TV a oscilar entre Thatcher e a Rainha. Está criado o cenário vital para o desconforto pretendido, onde os especialistas paranormais Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga) vão atuar, na tentativa de investigar os eventos assustadores relatados.

Wan oferece-nos os sustos cliché, tantas vezes em padrões aleatórios, e arrepios tão óbvios que podemos prever o que – ou quem – vai aparecer e onde. Ainda assim, o realizador surge sempre com formas inesperadas de executar esta tensão, tornando ““The Conjuring 2 – A Evocação” num filme efetivamente assustador e intenso. Para tal, utiliza técnicas visuais como o movimento constante das câmeras, os zoom-outs, e o foco em objetos chave, tudo para nos deixar atentos e inquietos. Também a banda sonora contribui para este clima de terror, usando-se certeiramente as batidas de intimidação em momentos inesperados, que nos mantêm num estado de permanente sobressalto.

O elenco é forte, dentro do género, sendo certo que é a jovem Madison Wolfe que tem o maior destaque, na interpretação da pequena Janet, uma criança possuída por um espírito malévolo, que vemos sempre de forma credível.

©2016 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved

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Quando comparado ao filme de 2013, lamentaremos que esta sequela ultrapasse um pouco os limites do plausível, sendo certo que era na lógica interna e numa dose generosa de realismo que residiam os principais fatores de susto do anterior “The Conjuring”. Perde-se, assim, um pouco do fulgor do primeiro filme da saga, mas continuamos, indiscutivelmente, perante uma história de fantasmas contada com uma habilidade superior e um dos melhores exemplos modernos dentro do seu género.

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Ana Semedo

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