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“Southpaw” é, assim, despretensioso, básico e imediatamente percetível.

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Se existe um desporto que é profícuo em filmes de qualidade, é seguramente o boxe. De “Raging Bull” (1980) a “Rocky” (1076), de “Million Dollar Baby” (2004) a “The Fighter” (2010), não nos faltam exemplos de autênticas obras-primas cinematográficas, que se focam na vida de pugilistas. Ainda assim, e com esta fasquia difícil de alcançar, Antoine Fuqua (o realizador de “Dia de Treino”, de 2001, e “Equalizer”, de 2014), muniu-se do peso pesado Jake Gyllenhaal, para nos contar uma história melodramática e nos oferecer mais um retrato da essência e disciplina deste grande desporto.

Com um argumento de Kurt Sutter, Fuqua segue os passos habituais – e algo aleatórios – de um filme sobre boxe. Os clichés são evidentes: o homem de sucesso que perde tudo, a esperança renovada, a reviravolta decisiva num último e derradeiro combate. Tudo já foi visto. Nada é verdadeiramente refrescante ou original.

Mas “Southpaw” tem, ainda assim, nas suas duas horas de duração, a capacidade de ser bom entretenimento. Agradeça-se isto sobretudo ao portento Gyllenhaal, que confere ao papel uma dimensão maior do que aquela inicialmente imaginada. Note-se, aliás, que a escolha original para interpretar o pugilista Billy Hope recaiu sobre o rapper Eminem, que teria provavelmente uma performance bem mais modesta e adaptada à convencionalidade da história. Com Gyllenhaal, contudo, temos sempre a entrega absoluta e incondicional. O ator é, invariavelmente, impressionante, e põe sempre cada gota de sangue e suor em tudo o que faz, sendo por isso um dos mais notáveis atores da nossa geração.

A acompanhá-lo temos o também fantástico Forest Whitaker, na pele do treinador Tick Wills, que inspira o boxer Hope a voltar a ser um lutador, em todas as vertentes da sua vida. E, como contraponto, temos Curtis “50 Cent” Jackson, na pele do agente ambicioso, cujo lema é apenas “se faz dinheiro, faz sentido” – frase que, de resto, podia ter sido decalcada de um dos seus temas.

Southpaw” é, assim, despretensioso, básico e imediatamente percetível. Mas atravessa-o aquele vigor pujante que só se sente nos filmes deste género e que vai desde as intensas sequências de treino – com uma banda sonora de luxo, a lembrar autênticos videoclips – aos close-ups emotivos no ringue, passando ainda pelas toalhas ensanguentadas, os ginásios de bairro e tudo o que ressoa a algo tão familiar e entranhado na nossa experiência cinematográfica que não conseguimos não sentir algum deleite e comoção, principalmente à medida que nos vamos aproximando do clímax final. No fundo já todos sabemos como termina a história. No fundo este filme não nos dá nada de novo. Mas deixamo-nos levar pelas melhores reminiscências de outras histórias não tão simples e de outros combates tão mais épicos.

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Ana Semedo

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