70%
70%
Interessante

Michael Moore vem desta vez assumir, com um rasgo de inteligência que se aplaude, “Estou aqui para escolher as flores não as ervas daninhas".

  • Interessante
    7
  • User Ratings (0 Votes)
    0

Com um talento declarado para transformar os seus documentários em instrumentos de propaganda intrinsecamente liberal, retratando os americanos como provincianos ignorantes, Michael Moore vem desta vez assumir, com um rasgo de inteligência que se aplaude, “Estou aqui para escolher as flores não as ervas daninhas”.

Partindo desta premissa mais auto consciente do que o habitual, e ainda que nos seja impossível fechar os olhos a todas as omissões, exageros e autênticas fantasias presentes em “E Agora Invadimos o Quê?” – como acreditar, por exemplo, que as crianças francesas nunca beberam Coca-Cola ou que Portugal é o paraíso para os consumidores de droga? – não deixamos der ter aqui uma reflexão muito interessante sobre aquilo que significa, afinal, ter qualidade de vida.

Moore viaja pela Europa, analisando aspetos da política social e económica de vários países que, adotados nos EUA, poderiam potencialmente resolver alguns erros fatais da sociedade americana. Da política de trabalho, em Itália, a uma educação que se foca na experiência realização pessoal, na Finlândia. De uma França com rigorosos princípios de nutrição infantil, a uma Eslovénia onde a universidade é livre. Dos criminosos felizes e reabilitados da Noruega, às poderosas mulheres que reforçam o poder da democracia da Islândia. Dos direitos reprodutivos constitucionalmente protegidos na Tunísia, à descriminalização do consumo de droga em Portugal. E, principalmente, com mais acuidade, de uma Alemanha que ensina aos seus filhos sobre os horrores do Holocausto, a uma América que ainda ignora a escravidão – o primeiro museu americano em memória dos escravos, apenas foi criado no ano de 2015, precisamente 151 anos após a abolição deste flagelo no país.

© IMG Films

© IMG Films

De importância fulcral é ainda que não se mencione o exemplo daquela que é a mãe da América, ainda mais em vésperas do referendo britânico de 23 de junho, que decidirá a manutenção ou não da Grã-Bretanha na UE. Podemos ver aqui também um abrir de olhos para este país, que agora se quer demarcar da maturidade social e económica do velho continente.

“E Agora Invadimos o Quê?” tem um tom mais leve e otimista do que aquilo a que Moore nos tem habituado. Sendo acima de tudo um filme para americanos, contado por um sujeito de aspeto Yankee, obeso, e aqui com um ar artificialmente ingénuo nas suas descobertas ao longo da viagem, há nele muito material fascinante e que vale a pena não ignorar.

loading...
This part can be inserted into the end of the html document in order to avoid delays in loading the main content of your site

About Author

Ana Semedo

Comments are closed.

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien