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Obrigatório!

“Este não é um filme para os críticos, é um filme para os fãs”

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Vou começar a minha opinião pessoal a citar o elenco do filme “Este não é um filme para os críticos, é um filme para os fãs”. Eu sou fã há algumas décadas e como tal falo na primeira pessoa, falo de experiências pessoais, falo do que sei!

Há 3 anos atrás quando Zack Snyder surpreendeu tudo e todos ao anunciar a realização deste projecto. Fiquei paralisado e pensei “será um sonho a tornar-se realidade”. Será mesmo?

Durante 3 anos a ansiedade foi enorme. As notícias foram aparecendo, as dúvidas cresceram:

  • Ben Affleck como Batman? Irá superar Christian Bale?
  • Será um prólogo da Justice League e uma luta de gladiadores? Matéria a mais para um filme?
  • Trinity no filme ? Serão heróis a mais?
  • Qual o plot point do filme?
  • Será fiel à obra “The Dark Knight Returns”? Quais as inspirações de Zack Snyder para este filme?

Todas as questões começaram a ser respondidas nas Comic Con´s pelos painel do filme, pelos trailers, pelos fãs…

Aos poucos e poucos tudo começou a fazer sentido e um raciocínio lógico começou a crescer na nossa mente, na mente dos fãs.

In Justice League #1 (New 52), Action Comics #700, The Dark Knight Returns

In Justice League #1 (New 52), Action Comics #700, The Dark Knight Returns

Antes do primeiro trailer oficial, bastou uma imagem a preto e branco do Batman e os fãs ficaram em delírio “será o melhor Batman de sempre”, “finalmente um fato e não armadura”, “fiel à obra de Frank Miller”.

© Warner Bros.

© Warner Bros.

Os trailers apareceram, as respostas vieram, dúvidas ficaram, receios cresceram. Dois vilões? Doomsday no filme?

Já sabíamos que BVS não é o “Homem de Aço 2”, mas cronologicamente continua os acontecimentos desde primeiro filme de Zack Snyder na DC Extended Universe.

Ao vermos Doomsday, os fãs começaram a ficar ansiosos por ver uma possível morte de Super-Homem (tal como quando Nolan escolhe Bane como vilão do TDKR, era inevitável e obrigatório ver esta personagem a quebrar as costas de Batman). Se aparece tem de ser fiel aos comics.

In Death Of Superman

In Death Of Superman

Já tínhamos visto a armadura de Batman para confrontar Super-Homem e assim dois bestsellers tinham de coexistir, dois argumentistas tinham de ser homenageados, e nós (fãs) tínhamos que ser homenageados.

In The Dark Knight Returns

In The Dark Knight Returns

Frank Miller idealizou um Batman na sua meia-idade, um Batman que durante décadas limpou as cidades, um Batman que não tem medo de confrontar um Deus. Recentemente soubemos que este era um dos pontos de partida para o desenrolar da história. Este é o Batman de Frank Miller em carne e osso.

O facto de termos Lex Luthor, e não o Joker por exemplo, no filme mostra-nos alguma credibilidade e continuidade a “Homem de Aço”. Sem entrar em rotura com o filme de 2013, “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça”afirma-se como uma continuidade. Vamos ter tempo para ver a apresentação de Joker a este DC Extended Universe, vamos ter tempo para um Batman versus Joker.

“Homem de Aço” trouxe-nos a nova DC para o grande ecrã, um Super-Homem actual, um drama de um alienígena no planeta Terra, a demanda de um herói. Vamos ter um confronto com Batman, com um primeiro plot point: A batalha de Metrópolis. Vamos ter Trinity, vamos ter prólogo da liga da Justiça.

Felizmente fui um dos privilegiados (obrigado Cinéfilos!) em estar na antestreia no dia 22 de março no Colombo. Até essa data, tudo estava no segredo dos deuses, nenhuma crítica foi revelada (regras estabelecidas pela Warner). Melhor ainda! Vou sem um raciocínio pré-concebido por críticos de cinema que não são o core-target deste filme.

Foram quase 3 horas de êxtase, quase 3 horas de sonho, quase 3 horas de magia, quase 3 horas de algo épico. Algo que ficará na minha memória para sempre: Eu estive lá!

Depois deste momento, li várias críticas. Algumas desiludiram, outras nem por isso. Quando não temos um background que nos permita opinar a 100% numa adaptação para o grande ecrã… é melhor não opinarmos. Ser crítico de cinema é algo que eu elogio. Eu estudei cinema, eu adoro cinema, eu percebo de cinema. Mas existe um ponto prévio para uma crítica de “filmes de Super-Heróis”: Temos de conhecer o mundo da banda desenhada.

Durante anos, vários projectos falharam tanto na DC como na Marvel (“Super-Homem: O Regresso”, “Daredevil”, “Fantastic Four”, “Hulk”… e o crime cometido por Joel Shumacher com os filmes de Batman).

A Marvel mostrou uma fórmula de sucesso: Temos de ser fiéis aos comics se queremos sucesso no grande ecrã. Temos de descobrir o ator certo (Hugh Jackman nasceu para ser Wolverine, Chris Hemsworth para ser Thor, Robert Downey Junior para ser Homem de Ferro). Mesmo cometendo falhas graves o sucesso pode ser garantido (Nick Fury de raça africana???).

Depois de ler tantas comparações incomparáveis com a Marvel, as minhas referências a este Universo terminam aqui:

  • Marvel conquista um público infantil e familiar com um tom mais light, cómico e de fantasia (em grande parte sem ser justificada ou questionada).
  • DC conquista um público fiel aos comics com um tom dramático, sério e lógico (tudo é explicado e credível).

Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça” é um filme para adultos (percebo porque Ben Affleck não deixa o filho ver este filme). Pela primeira vez um realizador não tem medo de explicar que numa luta de Super-Heróis existem danos colaterais. Inocentes morrem, como em qualquer atentado terrorista. Cidades são destruídas. Os heróis são vistos como salvadores ou ameaças.

O primeiro ato pode ter um ritmo mais lento, mas mostra-nos algo inovador: morte, política, terrorismo e comunicação social. Quase nem sentimos que estamos “num filme de Super-Heróis”. Não parece porque não estamos habituados a isto. Estamos todos formatados para a fórmula simples e cómica da Marvel.

Christopher Nolan criou uma trilogia com estas premissas dramáticas, mas não criou uma DC para o cinema. Criou sim uma tendência. Tendência que tem como sucessor Zack Snyder.

Bruce Wayne é o principal narrador do filme. O Batman é o ator principal de uma narrativa e este ponto de vista controlado mostra-nos a cruzada sombria de um homem. Seria necessário mostrar de novo a origem de Batman? Sim, mesmo para fãs provavelmente nem todos se lembravam que a mãe de Bruce Wayne se chamava “Martha Wayne” (e mais tarde é fundamental perceber que ambos os heróis têm a mãe progenitora ou adoptiva com o mesmo nome – Martha). De qualquer forma, Zack Snyder segue à regra o que Frank Miller nos mostrou e é um dos pontos altos do filme.

In The Dark Knight Returns

In The Dark Knight Returns

Sabíamos que estávamos perante um filme longo com muita informação. Este primeiro acto apesar de ter um ritmo mais lento é um enquadramento como nunca vi até hoje. São 30 a 40 minutos que justificam toda a narrativa que nos deixam todos a saber onde estamos e para onde vamos.

Aos olhos de Bruce Wayne, Super-Homem é visto como o antagonista desta história. Pela primeira vez um filme desta temática aborda o tema: Danos colateriais de um combate entre Super-Heróis/Meta-Humanos. Milhares de pessoas morrem em Metrópolis no final de  “Homem de Aço”. Empresas são destruídas. Numa dessas empresas que pertence á família Wayne, em especial a morte de um homem especial para Bruce Wayne, torna-se no motivo mais do que suficiente desta cruzada de um herói: Acabar com o Super-Homem.

Toda a narrativa está muito bem trabalhada. Todas as personagens têm a sua apresentação e tudo fica claro na mente de qualquer espectador acerca da construção de todas estas personagens.

Lex Luthor é brilhante do início ao fim. Mexe completamente com a mente de quem está dentro e fora da história.

Para quem não sabe, Lex Luthor é um dos principais vilões do Universo DC, a par de Joker. Um totalmente maquiavélico, outro simplesmente louco. Lex Luthor, já foi Presidente dos EUA, ou até membro da Justice League. E para alguns críticos… a resposta é “sim”, já teve o cabelo comprido (ver Death Of Super-Homem).

In Superman by John Byrne, Justice League Forever Evil e Death Of Superman

In Superman by John Byrne, Justice League Forever Evil e Death Of Superman

Em “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça”  começamos a ver um Super-Homem “humano”. Vemos o seu quotidiano de repórter, apaixonado por Lois Lane e sempre preocupado com o nosso frágil planeta.

Na banda desenhada Super-Homem, casou com Lois Lane em finais dos anos 90. Atualmente na DC (que está prestes a sofrer um “recomeço”) a personagem vive um romance com Mulher Maravilha.

In Superman Wedding e Superman & WonderWoman New 52

In Superman Wedding e Superman & WonderWoman New 52

No filme o super-herói é julgado pelos seus actos, vemos um momento terrorista e actual. Algo que chocou o público. Em simultâneo vemos Bruce Wayne a cruzar-se com Mulher Maravilha e a perceber o plano que Lex Luthor está a montar.

Bruce Wayne prepara-se para confrontar fisicamente Super-Homem. Como já tínhamos visto pelos trailers e merchandising, Zack Snyder foi totalmente fiel à sua inspiração – “The Dark Knight Returns”, ao criar uma armadura para combater o aço.

In The Dark Knight Returns / © Warner Bros.

In The Dark Knight Returns / © Warner Bros.

O grande confronto fica para o último acto. Esse último acto é de cortar a respiração. De deixar os espectadores colados à sua cadeira.

Até esse clímax, Zack Snyder é mestre a mostrar-nos diversos momentos que mais tarde vão ser respondidos nos próximos filmes da DC. Passo a enumerar alguns mais importantes:

A morte de Robin

In Death Of a Family/© Warner Bros.

In Death Of a Family/© Warner Bros.

Tendo em conta que tudo indica que tenha sido Joker o autor deste homicídio, tudo indica que terá sido Jason Todd o Robin a morrer neste DC Extended Universe. Como esta série de filmes começa de forma inversa à Marvel (os filmes das personagens a solo vêm depois do grupo e podem servir de origem dos heróis) podemos por exemplo ver esta história num filme de Batman a solo?

Darkseid – Principal vilão do Universo DC

In Justice League New 52

In Justice League New 52

Quando vemos “Batman Nightmare” com um fato pós-apocalíptico… ele está realmente em Apokalips, a terra de Darkseid.

Darkseid sempre quis convencer Kal-El a unir-se a si e assim poder governar este mundo, esta terra (sim, este é outro dos temas que poderá ser abordado no futuro: Infinitas Terras, onde podemos ter vários Batman, Super-Homens… todos em terras distintas, com realidades distintas).

Crise nas Infinitas Terras

In Crises on infinite Earths / © DC Comics

In Crises on infinite Earths / © DC Comics

A aparição de Flash, no momento em que Bruce Wayne acorda deste “Nightmare”, para entregar uma mensagem ao próprio Bruce é um momento que foi retirado de “Crise nas Infinitas Terras” (a mítica saga que marcou e mudou o mundo da banda desenhada nos anos 80), onde vemos Barry Allen a fazer exactamente o mesmo que nessa mesma saga.

Zack Snyder já tinha referido que teríamos a noção de multiverso, linhas temporais paralelas e outros recursos no próximo filme da Justice League.

Estamos perante um filme repleto de acontecimentos. Algo que deve ser valorizado e não fortemente criticado, pois não está ao nível de qualquer um conseguir conjugar tanta informação num argumento e conseguir passar para o grande ecrã.

Em termos de interpretações o filme tem alguns altos e baixos.

Pontos altos:

  1. Ben Affleck : Depois de muitas críticas e dúvidas, Ben Affleck tem um papel à sua altura (provavelmente o que ele fez no passado com Daredevil.. não tenha sido culpa dele, pois esse filme é todo ele um flop). Um Batman maduro, um Batman violento, um Batman que não hesita em expressar vocabulário nunca antes visto num filme desta temática, um Batman à Frank Miller!
  2. Jesse Eisenberg : É o principal vilão do filme. É o motor de toda a narrativa e é por ele (numa parte final) em que Batman e Super-Homem se confrontam. Completamente psicótico e sempre com um diálogo único que nos leva à loucura.
  3. Henry Cavil : Parece que o ator inglês nasceu para este papel. Apesar de toda a geração dos anos 70 e 80 não esquecerem Christopher Reeve que fez história no Super-Homem dessa época, Henry Cavil é um Super-Homem moderno, um Super-Homem mais idêntico ao que temos visto em New 52, um “American Alien” que vive a adaptar-se a este planeta e que vive no meio dos humanos como um humano. É por ele que esta narrativa começa e é com ele que termina. Super-Homem tem neste filme um momento de total reconhecimento e sacrifício. Tal como Jesus Cristo quando está crucificado e perto da morte perdoa o “Homem que não sabe o que faz”, também Super-Homem perdoa os Humanos e dá sua vida por nós.
  4. Amy Adams: A Lois Lane já tinha sido uma peça fundamental em Man Of Steel e aqui continua a sua brilhante performance. Ela torna-se a chave desta narrativa ao descobrir o que Lex Luthor tem em mente (ela está no início do filme, ela está onde aparece pela primeira vez a Kryptonite). Ela ama Clark Kent e é capaz de tudo para o salvar. TemoS também uma Lois Lane persistente que não desiste por nada de uma reportagem.
  5. Jeremy Irons: Um Alfred “high-tech”. Para quem acompanha a histórias de Batman ao longo de algumas décadas sabe que Alfred também tem esta vertente. Ele não só foi um combatente como desenvolveu as suas capacidades mais tecnológicas com Bruce Wayne na sua Bat-Cave. Continua a ser a “voz da razão”.
  6. Gal Gadot: Ela nasceu para ser a Mulher Maravilha. Apesar de não se perceber muito bem ao certo como ela aparece na exposição atrás de Lex Luthor para tentar recuperar o que ele tinha acerca dela, ela é um dos pontos-chave no filme e que levou muitos fãs ao êxtase. Sem ela o combate com Doomsday poderia ser uma batalha perdida antes de a mesma começar.

Pontos baixos:

  1. Jimmy Olsen: Sim, Jimmy Olsen aparece no filme! Ele é o fotógrafo que acompanha Lois Lane na sua reportagem de risco logo no início do filme. Ele sacrifica-se para a salvar.
  2. Todo o restante elenco da Justice League: mas compreende-se… não havia tempo para mais…

No último ato do filme temos finalmente os dois momentos mais esperados do ano cinematográfico : Batman V Super-Homem e Trinity Vs Doomsday.

Como seria de esperar pelo desenrolar do filme, o confronto físico entre os dois Heróis não seria muito longo. Batman chama Super-Homem que só o vai enfrentar devido a um truque maléfico de Lex Luthor.

Sempre que Batman enfrentou Super-Homem no mundo dos Comics teve de recorrer à mais que óbvia Kryptonite. Só assim um Homem enfrenta um Deus.

In Batman 612 e New 52 / © DC Comics

In Batman 612 e New 52 / © DC Comics

Veredicto Final:

Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça”  superou as minhas expectativas como fã. Tem tudo o que eu sonho ver no grande ecrã há longos anos: Um Batman igual à banda desenhada, um Batman a combater o Super-Homem, Mulher Maravilha, um Robin morto, e mais um ponto fundamental na história:

[SPOILERS]

Sim, este é o maior spoiler de todo o filme: A Morte de Super-Homem! Trágica como na BD. Quem critica o facto de termos um trio de super-heróis a combater Doomsday é porque não leu o famoso best-seller de Dan Jurgens. Doomsday quase destrói/mata membros da Justice League antes do último “round” com Super-Homem :

© DC Comics

© DC Comics

E ainda temos tempo para um trágico funeral que segue os passos de “Funeral For a Friend”:

© DC Comics

© DC Comics

A Warner e a DC precisaram de dois filmes para lançar enorme e variado conteúdo para este Extended Universe. Muita matéria está em cima da mesa e agora resta-nos aguardar. Seguramente vamos manter esta visão mais séria e violenta, pelo menos com o próximo Suicide Squad.

 

 

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Nuno Gonçalo Costa

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