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Megalomano

“Batman v Super-Homem” apresenta-nos um universo cinematográfico inteiro em apenas 151 minutos. Dá-nos muito, deixa-nos a desejar mais, mas ficamos sempre uma sensação de incompleição inerente.

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Megalómano. É este o adjetivo que nos ocorre ao pensarmos em “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça”. Desde logo, e ainda antes de entramos na sala de cinema, já sabemos que estão em causa os dois mais relevantes e poderosos super-heróis do universo da DC Comics. Mas a megalomania ultrapassa o tema e o filme torna-se numa inevitável vítima da sua própria ambição, levando demasiado tempo a configurar a base para uma história – de resto, cheia de pontas soltas, que piscam o olho a sequelas – que efetivamente só se concretiza depois de muitos minutos de rodagem.

O realizador Zack Snyder, que conhecemos principalmente desde “300” (2006), divide-se entre flashbacks, sequências de ação e a apresentação de uma panóplia de personagens e tramas, carregando “Batman v Super-Homem” de material que daria, seguramente, para 10 filmes isolados. O tom, esse, é unívoco e escuro. Snyder leva tudo muito a sério e sentimos falta de algum humor, principalmente se compararmos o ambiente e a história com a mais recente incursão cinematográfica de uma personagem da banda desenhada, o hilariante e carismático Deadpool.

Bem longe daquele divertido anti-herói, Batman e Super-Homem são, neste filme, personagens atormentadas por angústias existenciais e conflitos morais e filosóficos, em tornos de temas como a luta do Bem contra o Mal, Deus, a ameaça do terrorismo e a dinâmica de poder social. Parece-nos que, também aqui, falta alguma modéstia.

© 2016 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved

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O elenco, esse, é aceitável no seu todo. Ben Affleck é um Batman competente, não obstante ser inevitável compará-lo com o fantástico Christian Bale, comparação na qual sairá sempre prejudicado. Henry Cavill tem os atributos certos para um Super-Homem, mas falta-lhe algum carisma. Jesse Eisenberg é um Lex Luthor absolutamente caricatural, mas ainda assim crível e, a espaços, delicioso. Amy Adams é uma Lois Lane perfeita na sua projeção de vulnerabilidade. Gal Gadot, a Mulher Maravilha, é charmosíssima, mas a sua presença no filme parece-nos completamente prescindível, só se podendo justificar a sua existência com uma sequela.

A banda sonora de Hans Zimmer é poderosa. A direção fotográfica de Larry Fong é bela e envolvente. E Snyder brilha principalmente na parte final do filme., tornando-se claro que é na ação pura que se sente em casa.

“Batman v Super-Homem” apresenta-nos um universo cinematográfico inteiro em apenas 151 minutos. Dá-nos muito, deixa-nos a desejar mais, mas ficamos sempre uma sensação de incompleição inerente. Isto não faz “Batman v Super-Homem” um filme mau. Pelo contrário, é um filme que atende às nossas expectativas em muitos aspetos, mas poderia ter sido épico, se não se perdesse imprudentemente na sua ambição.

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Ana Semedo

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