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Desapontante

“Alice do Outro Lado do Espelho” sofre de um entorpecimento mental e de uma fragilidade estrutural que o impedem de chegar perto da genialidade da obra Lewis Carroll, que alia versatilidade infantil, construções abstratas complexas e um sentimento de constante descoberta.

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O grande problema de Alice é não ser Alice. Enquanto o seu antecessor, “Alice no País das Maravilhas”, de 2010, respeitava o espírito da obra de Lewis Carroll, “Alice do Outro Lado do Espelho” desaponta-nos pelo seu argumento pobre, confuso e perfeitamente apartado da narrativa de Carroll, que no livro homónimo deste filme, nos apresenta uma Alice que ultrapassa obstáculos, desvenda enigmas e se move em paradoxos lógicos, estruturados como etapas de um jogo de xadrez. Ora, este teor original da história, instigante e inteligente, não tem correspondência com a trama implausível e incoerente que agora nos é apresentada. Sendo até surpreendente que esta liberdade – quase heresia – da adaptação da obra de Carroll tenha sido aceite pelos estúdios da Disney.

Realizado por James Bobin (realizador de “The Muppets”), que dá continuidade ao visual imaginativo ímpar do mundo de Tim Burton, “Alice do Outro Lado do Espelho” foi escrito por Linda Woolverton, que alegadamente se terá baseado no estilo nonsense e nas personagens do autor que deu nome à obra, mas que alo que vemos foi demasiado longe na sua liberdade criativa. O elenco, esse, é o mesmo do antecessor, e conta com algumas adições estratégicas.

Johnny Depp continua como Chapeleiro, mas não só a sua imagem se inclina demasiado para o lado bizarro nesta sequela da história, como surge quase totalmente desprovido da energia e fulgor, características da personagem original da obra.

© Disney

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Mia Wasikowska, pelo contrário, aproveita um argumento revelador de uma Alice com uma personalidade mais forte, para nos demonstrar, mais uma vez, o seu enorme talento.

Helena Bonham Carter, como Rainha de Copas, continua a ser deliciosa de observar, e é a personagem que demonstra o maior grau de complexidade, não obstante o volte-face final no enredo, que roça o patético e a desconfigura.

Mas o melhor elemento desta produção é, sem dúvida, o Tempo. Esta nova personagem, encarnada pelo brilhantemente cómico Sasha Baren Cohen, traz ainda alguns conceitos metafóricos interessantes, apesar de não devidamente explorados.

Os efeitos CGI são pródigos – e ao que se sabe extravagantemente caros – como seria de esperar, mantendo a tela permanentemente carregada de imagens e cores deslumbrantes.

1 Mas se nos focarmos apenas no visual imaginativo, podemos ter uma singela viagem num País das Maravilhas agradável aos olhos.

 

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Ana Semedo

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